O DESAFIO DE VENCER A MONOTONIA
NO CASAMENTO
Os
relacionamentos conjugais normalmente começam muito bem, mas nem todos terminam
como começaram. Graças a Deus uma grande maioria consegue vencer os desafios de
conviver com a sua “alma gêmea”, mas outra parte tem grandes complicações,
algumas irremediáveis.
Às
vezes torna-se demorado assimilar que a pessoa amada, aquela que fez o nosso
coração bater mais rápido - e por causa dela a nossa vida nunca mais foi a
mesma - é tão diferente de nós. Fazemos questão de anular as diferenças para
tornar as igualdades uma virtude inviolável. Esquecemos, no entanto, de
descobrir e explorar todas as inigualáveis belezas contidas nas diferenças e na
riqueza de se conviver com alguém diferente de nós.
Por
falta de compreensão e respeito às individualidades, uma fração desses
relacionamentos tolera-se - mesmo que de forma truculenta e embora não tenham
dado “fim” ao casamento - repousa apaticamente sobre a plataforma da monótona
conformação. Essas pessoas aprisionaram-se espontaneamente nas pesadas
correntes da insatisfação, abrindo mão de todas as possibilidades virtuosas que
as “novidades” podem oferecer e foram exatamente as tais “novidades” que lhes proporcionaram
a possibilidade da união conjugal, vejamos:
O
primeiro olhar, o primeiro encontro, o primeiro beijo, os primeiros passeios de
mãos dadas, os primeiros planos.
O
noivado, a festa de casamento, a viagem de lua de mel: “Nossa, a viagem foi ótima... a lua de mel talvez nem tanto...”. No
começo é assim mesmo, mas o período de adaptação faz milagres.
Os
primeiros dias como uma nova família, um novo lar, coisas novas dentro de casa,
o convívio diário com uma pessoa diferente. Amada, mas diferente. Engraçado que
não parecia ser tão diferente assim... Mas é o começo de uma vida feliz.
As
primeiras compras, as primeiras contas, as tantas coisas que tinham que
comprar, mas o dinheiro não deu. Os primeiros problemas para serem resolvidos.
As primeiras dores, os primeiros sorrisos falsificados, os primeiros “sapos” a
serem engolidos, mas vão acostumando a engolir tantos “sapos” que o estômago
parece um “brejo”.
Quantas
novidades! Alguns relacionamentos se fortalecem e outros se fragilizam.
O
passar do tempo aviva e embeleza muitas relações conjugais, porém outros
relacionamentos se engessam, tornam-se enfadonhos, sem graça, sem sabor,
medíocres, embriagados pelo mortífero néctar da rotina monótona.
Nesse
ponto a alegria acaba. O desejo sexual em relação ao parceiro se extingue. Os
silenciosos questionamentos quanto ao “prazo de validade” da relação atormentam
a mente. O sentimento de infelicidade torna-se inevitável. A vida perde a
graça.
É
aqui, nesse ponto da vida, que muitos casais vivem atormentados. Outrora amavam-se
intensamente e desejavam-se ardentemente, mas agora se deparam com um angustiante
sentimento de frustração.
Não
vivem, tocam a vida. O brilho no olhar se ofuscou em algum lugar da vida. Cônjuges
separados que persistem em conviver debaixo do mesmo teto, seja por questões de
religiosidade, princípios enraizados em suas bases de crenças, conveniências,
comodismo, satisfação à sociedade, ou até julgam que o casamento é essa “coisa
esquisita” que no começo é glorioso e embriagador, mas com o passar do tempo
torna-se um calabouço que aprisiona e tortura os mais frágeis e lindos
sentimentos da alma.
Não
cogitam mudar, mesmo que essa mudança represente voltar ao caminho da
felicidade. Sonhar talvez, ter atitudes que produzam mudanças para melhor, não.
A maioria que fomenta esses
loucos relacionamentos prefere navegar nas caudalosas águas, que em algum
momento, os precipitarão num abismo com alto poder destrutivo, a renderem-se
quebrantados ao clamor do amor que busca de alguma forma sobreviver, e
sobrevivendo poderá ser um gerador de alegrias, prazeres e recompensas,
galardoando aos seus protagonistas a estonteante glória da felicidade.
Outro
grupo de indivíduos simplesmente “chuta o balde”. Resolve não resolver nada, se
separam martirizados pelas mágoas, rancores e ressentimentos, cada um levando
os seus trapos, seus farrapos, seus questionamentos, seus traumas, suas
radicalizações, seus individualismos para um “novo” relacionamento.
Eles
tentam fazer dos restos de velhos retalhos um pano novo. Carregam para outro
relacionamento às sementes das quais não lutaram para se livrar, e ao
repousarem suas vidas contaminadas por questões nunca resolvidas, impregnam o
novo solo com antigas sementes malditas que abundarão em frutos que não
desejarão colher.
A
busca pelo prazer e pela felicidade, assim como a manutenção desses dois importantes
ingredientes indispensáveis ao casamento sadio, deve ser uma questão de
prioridade. Isso não depende do acaso, é uma questão de conscientização, de planejamento
e de atitudes.
As
prioridades no relacionamento conjugal são enfatizadas pela Bíblia Sagrada:
“E bem quisera eu que estivésseis sem
cuidado (sem nenhuma preocupação).
O solteiro cuida das coisas do
Senhor, em como há de agradar ao Senhor;
mas o que é casado cuida das coisas do mundo, em como há de
agradar à mulher.
Há diferença entre a mulher
casada e a virgem: a solteira cuida das coisas do Senhor para ser santa, tanto no corpo como no espírito; porém a casada cuida
das coisas do mundo, em como há
de agradar ao marido.
E digo isso para proveito
vosso; não para vos enlaçar, mas para o que é decente e conveniente, para vos
unirdes ao Senhor, sem distração alguma” - I Coríntios 7:32-35.
Planejar
agradar é bíblico. Não é uma obrigação a ser cumprida, mas um princípio a ser
compreendido e aplicado, que passa a ser um estilo de vida. Agradar ao parceiro
é uma atitude que muda completamente o entendimento que se tem da relação
conjugal. Quando essa se torna uma questão prioritária, os dois saem ganhando.
Quem
não planeja agradar está planejando fracassar. Agradar, ser agradável,
satisfazer, cair no gosto, ter e oferecer prazer é a essência da doação.
O
planejamento é uma escolha que qualquer um pode fazer, é preciso querer.
Planejar dá trabalho. Colocar o planejamento em ação exige disposição de ânimo,
mas as recompensas são maravilhosas. A execução do que foi planejado produz
novos hábitos.
Os novos hábitos são armas com
grande poder para destruir a monotonia. A monotonia não resiste a novos
hábitos.
Os
casados precisam planejar e executar novas formas de agradar os seus parceiros,
isto é, inovar sempre, numa ação preventiva que elimina a monotonia e os seus efeitos
colaterais. Não há relacionamento saudável que resista à monotonia. Reitero
afirmando que, nenhum relacionamento saudável resiste por muito tempo se a
monotonia não for tratada como uma intrusa e indesejável praga.
Vou
dar a você algumas sugestões e certamente o seu poder criativo viabilizará
outras que impactarão e agradarão o seu parceiro:
1)
A mamãe precisa planejar as atitudes para não deixar de ser mulher
e amante;
2)
O homem de Deus, o trabalhador, o provedor, precisa ter atitudes
de macho que a sua mulher espera e deseja;
3)
O casal precisa planejar ser bonito o maior tempo possível. Essa
beleza envolve estética interior e exterior, saúde, conhecimento, temperamento,
caráter e as decisões de abdicar de coisas que são sabidamente prejudiciais. A
beleza está mais ligada ao cuidado, ao zelo do que a estética exterior
(feições) obtidas por obra da natureza;
4)
O casal precisa planejar a forma de curtirem juntos eventos
especiais e a vida a dois, apesar do cuidado que precisam ter com os filhos.
Definir o que é prioridade não é tão simples. Muitos casais decidem priorizar
os filhos. Muito bem, os filhos crescem devidamente assistidos, mas no final
dessa empreitada eles vão viver as suas vidas, aí não resta um motivo sequer
para o casal permanecer junto. A prioridade é o relacionamento do casal, o modo
de vida que decidem viver, e depois disso, vem os filhos;
5)
Ambos precisam criar e manter um ambiente de cumplicidade, sensualidade
e parceria, fazendo com que a vida a dois ganhe sentido e dê recompensas;
6)
O casal tem que saber que o tempo para dedicação mútua é uma
questão de planejamento e de atitudes, não apenas de oportunidade;
7)
Os ingredientes que temperam a vida conjugal e propiciam bem estar
precisam ser buscados com determinação, isso depende de atitudes. A iniciativa ou
as atitudes devem ser de ambos. É melhor que os dois tomem a iniciativa do que permanecerem
de braços cruzados esperando um pelo outro, ou ambos esperando uma obra do
acaso. Enquanto o acaso não acontece, as insatisfações e os problemas brotam
como “ervas daninhas”, crescem rapidamente, agravam-se, acumulam-se,
tornando-se quase que insolúveis.
É
preciso mexer deliberadamente com as emoções do parceiro, e isso requer
criatividade, disponibilidade e ação. Aqui vão algumas sugestões de ações
simples, porém, eficazes:
1)
Escreva bilhetinhos e coloque na carteira do parceiro ou na bolsa
da parceira onde você tem certeza de que será visto;
2)
Mande e-mails com declarações ousadas, da forma que você sabe que
agrada e mexe com os sentimentos e a imaginação do parceiro. Cada um certamente
sabe o gosto do parceiro e a forma que atende às suas expectativas;
3)
Envie uma carta pelo correio marcando um encontro num lugar
especial;
4)
Construa um clima de expectativa. Use todas as suas armas, elas
são dadas para edificar, não para destruir;
5)
Compartilhe as suas fantasias. Para quem é mais tímido e não
consegue verbalizar, um método eficiente é escrever, mesmo que de forma
sucinta. Saiba que o seu parceiro não tem como adivinhar os seus desejos e nem
sempre sabe a forma mais adequada para lhe agradar, por isso fale, se
comunique, verbalize, exteriorize, abra o seu coração, não tenha reservas;
6)
Telefone no meio do dia insinuando o que poderá ocorrer quando vocês
estiverem juntos, transformando o simples cair da noite num evento espetacular;
7)
Cochiche, sussurre algo sugestivo no ouvido durante um filme ou um
jantar, eu lhes garanto que o coração vai bater mais rápido e a imaginação
entrará em ação;
8)
Leve-a para jantar fora, e se ela disser quando o jantar terminar:
“já é tarde, temos que ir para casa, querido”. Você guiando o carro para um
lugarzinho agradável diz: “quem disse que
temos hora marcada para chegarmos em casa? A noite está apenas começando, meu amor!”
Nenhuma
monotonia consegue se instalar na vida de um casal comprometido com a
felicidade. Você pode até dizer que a monotonia é resultado da rotina e isso é
muito complicado para mudar e muito difícil para se vencer.
Mas
quero ponderar dizendo que a rotina não é pra ser vencida, a rotina é pra ser
cumprida. A rotina é importante. Todos nós temos compromissos no dia a dia,
horários para serem cumpridos, tarefas diversas a serem executadas e por aí
vai. A grande questão é o que inserimos em nossas vidas que não faz parte da
nossa rotina. São essas inserções que fazem toda diferença.
Outra
forma de inviabilizar o impacto negativo da rotina no dia a dia é a maneira
como avaliamos esses afazeres. Se os consideramos necessários e importantes, a
forma de executá-los será prazerosa. Tudo o que se faz com prazer não gera
desgastes.
Se
você não agüenta monotonia, se tem consciência de que ela pode acabar com o bem
estar do seu relacionamento e mudar para pior a sua vida, planejar mudar de
ambiente é outra solução importante. Procure novos lugares, seguros,
confortáveis e sugestivos para um romance intenso. Hoje há uma estrutura
turística muito ampla e de baixo custo que está acessível a pessoas de todas as
camadas sociais.
Não
encare isso como custo, mas investimento. Se há algo cujo investimento é
retorno garantido, é o casamento. Essa inserção, diferente da rotina do seu dia-a-dia,
causa um impacto muito positivo:
“Venha, querido, vamos para o campo; vamos
passar a noite nas plantações de uvas. Vamos levantar cedo e olhar as parreiras,
para ver se elas já começaram a brotar. Veremos se as flores estão se abrindo e
se as romãzeiras já estão
em
flor. Ali
eu lhe darei o meu amor” (NTLH) – Cantares
7:11,12.
1)
Faça viagens periódicas que estejam dentro do seu orçamento. Você
pode se organizar para que isso aconteça sem atrapalhar as atividades
profissionais, sem afetar a sua responsabilidade como mãe. Lógico que os filhos
devem ficar em casa. Não ouse levá-los para uma viagem de romance intenso, não
vai dar certo. Leve-os numa viagem familiar, esse programa é bem diferente;
2)
Habitue-se a fazer carícias despretensiosas e sem intenção sexual;
3)
Habitue-se também a fazer carícias intencionalmente insinuantes e
sensuais;
4)
Invista no relacionamento conjugal, compre lingeries diferentes,
umas ousadas e outras comportadas conforme o gosto do casal. Elas são muito especiais
porque dão um tempero mais picante. Lógico que ele precisa também de cuecas
novas e mais modernas;
5)
Curta todos os cômodos da sua casa nos momentos que estiverem a
sós, é claro;
6)
Comemore, celebre muito uma data especial. Lembre-se que uma data
especial requer atitudes especiais, e lugares especiais;
7)
Desenvolva a arte de transformar um dia comum num dia especial.
Você tem o poder da criatividade, coloque-o em ação, você ficará maravilhado
com o resultado;
8)
Incremente um fim de semana ou um feriado. Faça uma festa para o
seu relacionamento conjugal, vocês merecem:
a)
Jantar à luz de velas;
b)
Pétalas de rosas no chão do quarto e na cama coberta com um jogo
de lençóis novos e cheirosos;
c)
Uma música muito romântica que lembre os bons momentos, tocando ao
fundo;
d)
Uma carta deixada em cima do travesseiro repleta de sugestões
ousadas e declarações sobre o quanto você ainda tem amor pra dar;
e)
Uma tele-mensagem programada para o momento do jantar a dois;
f)
Faça do seu quarto um ninho inviolável de cumplicidade e de amor.
A
criatividade é a melhor arma contra a monotonia. Portanto coloque o poder que
há em você em ação, crie, invente e reinvente. Busque novas alternativas para
manter acessa as brasas de fogo, “labaredas do Senhor”. Recicle o seu
comportamento. Arme-se contra a monotonia no seu casamento e na sua vida. Salve
o seu casamento, esse poder está em suas mãos.
Faça
do seu casamento uma fonte de prazer, afinal você tem apenas alguns anos de
vida para curti-la, porque depois, num tempo indeterminado, você vai morrer.
Goza a vida com a mulher que amas, todos os
dias de tua vida fugaz, (rápida, passageira) os quais Deus te deu debaixo do
sol; porque esta é a tua porção nesta vida pelo trabalho com que te afadigaste
debaixo do sol.
Eclesiastes
9:9
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